Gênero, saber e educação

Sor Juana e Nísia Floresta: quem pode aprender e falar?

Que contradições aparecem quando uma sociedade exige condutas das mulheres e bloqueia seu acesso à formação e à palavra pública?

PosiçãoAmérica Latina e Brasil · rota 3 de 3
Tempo30–40 min
Dificuldadeinicial
Obra-guiaSor Juana, Redondillas; diálogo com o Opúsculo humanitário de Nísia Floresta

Onde estou?

Contexto antes da frase.

Sor Juana Inés de la Cruz, na Nova Espanha do século XVII, argumentou e escreveu em gêneros filosóficos, teológicos e poéticos. No Brasil do XIX, Nísia Floresta fez da educação das mulheres um problema público. A rota aproxima questões, não apaga épocas ou contextos.

Por que ler isto?

A seleção explicita tradições latino-americanas e brasileiras que uma linha exclusivamente europeia ocultaria. Também pergunta quem o próprio cânone autorizou a produzir conhecimento.

  • duplo padrão
  • autoridade
  • educação
  • voz pública

Leia o trecho

Fonte, localização e tradução visíveis.

Antes de citar: a versão em português abaixo é identificada como tradução de trabalho, atualização ortográfica ou citação breve. Para trabalho acadêmico, consulte a edição indicada e siga a norma de citação adotada.

Sor Juana Inés de la Cruz Redondillas (“Hombres necios que acusáis”) · estrofe de abertura
“Homens néscios que acusais a mulher sem razão, sem ver que sois a ocasião daquilo que censurais.”
Hombres necios que acusáis / a la mujer, sin razón, / sin ver que sois la ocasión / de lo mismo que culpáis.

Edição/base: Texto espanhol em domínio público disponibilizado pela Wikisource.

Nota de tradução: Tradução de trabalho do projeto, mantendo o encadeamento argumentativo da estrofe.

Fonte
Wikisource em espanhol (abre em nova aba)
Localização
estrofe de abertura
Acesso e direitos
Original em domínio público; página da Wikisource sob CC BY-SA, com condições adicionais indicadas na fonte.
Consulta
10 set. 2026
Nísia Floresta Opúsculo humanitário · seção XXVI, pp. 59–60
“Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais fácil é a um governo absoluto exercer sobre ele o seu ilimitado poder.”
Quanto mais ignorante é um povo, tanto mais facil é a um governo absoluto exercer sobre elle o seu illimitado poder.

Edição/base: Primeira edição, Rio de Janeiro, Typographia M. A. Silva Lima, 1853; exemplar digitalizado pela BBM-USP.

Nota de tradução: Não há tradução: o projeto atualizou apenas a ortografia de “facil”, “elle” e “illimitado”.

Fonte
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin — USP (abre em nova aba)
Localização
seção XXVI, pp. 59–60
Acesso e direitos
Texto original em domínio público; reprodução digital disponibilizada pela BBM-USP sob os termos indicados no repositório.
Consulta
10 set. 2026

Compreender

O que está em jogo?

O que o trecho discute

A estrofe acusa uma incoerência: homens produzem condições e depois culpam mulheres pelos resultados. Nísia desloca contradição semelhante para a educação, criticando uma sociedade que limita a formação feminina e usa essa limitação como prova de inferioridade.

Um equívoco provável

Tratar o poema apenas como “frase feminista atual” apaga seu engenho retórico, o contexto colonial e o risco intelectual de Sor Juana. Nísia também exige leitura crítica da história editorial de suas adaptações e traduções.

Pergunta-guia

Como um grupo pode transformar a falta de oportunidade que impõe em suposta prova de incapacidade?

Depois da leitura

Pense antes de continuar.

  1. Identifique a estrutura circular da acusação na estrofe e escreva-a como duas premissas.
  2. Que instituições hoje ainda confundem acesso desigual com mérito desigual?

Leia um pouco mais

Fontes abertas ou de acesso gratuito.

Abra com uma missão clara e depois retorne ao percurso. “Gratuito” não é sinônimo de licença aberta; a situação de cada item está indicada.

Seu caderno local

O que você sustenta agora?

Relação com a próxima

A pergunta continua.

Retorne a Kant e Beauvoir: compare os sentidos de menoridade, formação e tornar-se sujeito em contextos diferentes.

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